a luz da razão
Não sei se é a razão que nos ilumina ou se somos nós quem dá luz à razão. Isto para responder ao interlocutor que me interpelou quanto ao relativismo destes exercícios. Devo dizer que tenho viajado um pouco pelos blogs, tendo ficado impressionado pelo proselitismo que anima muitos dos seus autores. Há também atitudes desgarradas de crentes na descrença (nem só de racionalistas vive a rede!), há humor e espírito crítico. Parece-me que a essência do espírito bloguista está na discussão a propósito de ideias/factos/acontecimentos que remetam para uma experiência colectiva empiricamente determinada. Parece-me que a natureza anímica dos blogs é política, sendo o resto, as vertentes culturais inclusivé, acessórias ou complementares, quanto mais não seja pelos aspectos subjectivo-relativistas que tornam a discussão destes tópicos menos pública, menos susceptível de uma troca racional de argumentos que não descambe no total relativismo.
O bloguista discute. Troca, ou quer trocar, argumentos. O bloguista oscila entre o silogismo e o entimema na defesa dos seus valores e convicções. Um bloguista não racionalista não é um bom bloguista! Há um óbvio prazer por detrás das provocações que são lançadas na rede. Há um desejo de luta e de vitória no reptos que aqui surgem. Não me pareceu é que (como aliás até é norma na comum existência humana) as regras estejam bem definidas. Joga-se um futebol total sem que o campo tenha ainda as marcações feitas. Vale tudo! Vamos à festa!
Até agora tenho apreciado uma certa veia bandarilheira nos bloguistas nacionais. É um pouco um dá e foge, o cravar a farpa azeda e o dizer que se antecipou o movimento do adversário. Coisas à chico-esperto, como é apanágio deste nosso desmedido povo.
Talvez esteja de todo enganado. Estarei a tomar a árvore pela floresta,como me acontece muitas vezes, mas aí será, tão só, a relatividade da minha razão a enganar-me.
Paradoxalmente, talvez seja nos aspectos culturais, e não nos políticos, que os blogs acabem por ser mais conseguidos.As opções estéticas que nos são oferecidas são gratificantes: a poesia, a música, as artes plásticas surgem-nos em função das opções estéticas de quem as publica na rede, e é um prazer, sentados em nossa casa, partilharmos esses universos. Talvez que quando não haja a preocupação de impor a razão das nossas razões seja mais fácil a razoabilidade.
Vou continuar a explorar. Contra o relativismo! Pela razão universal|
